domingo, 4 de março de 2012

Daquelas minhas crises, de sempre.

- Me desculpa.
- Por qual motivo?
- Por tudo, por essa confusão toda.

É isso que acontece quando as pessoas amontoam os sentimentos, quando não vivem seus amores até o final, não deixam ou são obrigadas a romper as emoções no meio da estrada, pela metade, sem chance de viver até o último ponto, sem poder sequer entender todo o motivo, ou motivo meio que seja. E levando em conta que a vida é curta, esse amontoado é um disperdício, de alma.

sábado, 26 de novembro de 2011

Devaneio

Estava tudo tão gostoso. Sorria feito criança. Sentia o coração pulsar forte - como quando a gente fica absurdamente feliz. Então tudo começou a ficar embaçado. As imagens foram se perdendo aos poucos e aquele rosto foi sendo desfigurado. Será um desmaio?


Derepente uma luz muito forte começou a surgir. Piscou os olhos vagarosamente por alguns instantes, até que finalmente conseguiu abri-los. Olhou a sua volta e percebeu que estava em um local conhecido e não mais naquele parque que nunca havia visto antes. Esse local era seu quarto. Acabara de despertar do sonho mais desejado que pudera ter. MERDA!

domingo, 7 de agosto de 2011

Nada além de ser (...)

Então, não perca seu tempo comigo. Eu não sou um corpo que você achou na noite. ...Eu não sou uma boca que precisa ser beijada por outra qualquer. Eu não preciso do seu dinheiro. Muito menos do seu carro. Mas, talvez, eu precise dos seus braços fortes. Das suas mãos quentes. Do seu colo pra eu me deitar. Do seu conselho quando meu lado menina não souber o que fazer do meu futuro. Eu não vou te pedir nada. Não vou te cobrar aquilo que você não pode me dar. Mas uma coisa, eu exijo. Quando estiver comigo, seja todo você. Corpo e alma. Às vezes, mais alma. Às vezes, mais corpo. Mas, por favor, não me apareça pela metade. Não me venha com falsas promessas. Eu não me iludo com presentes caros. Não, eu não estou à venda. Eu não quero saber onde você mora. Desde que você saiba o caminho da minha casa. Eu não quero saber quanto você ganha. Quero saber se ganha o dia quando está comigo.




Caio Fernando Abreu

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Da atração física entre vidas (completamente) distintas

É que eu sei que é pura atração física. Que amanhã ou depois vai acabar. Como a primavera. Só que a primavera sempre volta depois do inverno. E sei que isso não volta. E não pode, não deve, não tem como e não vai. Que eu posso me arrepender de ter deixado algo de significado intenso ser só pele, por mais nada. Assim como ja me arrependi de deixar as coisas chegarem a tal ponto em que estão.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Assim, eu e você num (im)possível plural

"Então me vens e me chega e me invades e me tomas e me pedes e me perdes e te derramas sobre mim com teus olhos sempre fugitivos e abres a boca para libertar novas histórias e outra vez me completo assim, sem urgências, e me concentro inteiro nas coisas que me contas, e assim calado, e assim submisso, te mastigo dentro de mim enquanto me apunhalas com lenta delicadeza deixando claro em cada promessa que jamais será cumprida, que NADA devo esperar além dessa máscara colorida, que me queres assim porque assim que és..."

Caio F. Abreu

domingo, 10 de abril de 2011

Sensaboria

Os raios de sol que penetravam os vidros da janela, embora não estivessem tão fortes, faziam com que contraisse os olhos que ardiam de tantas noites mal dormidas. Agora, isso já não acontecia por conta de alguém, era essa rotina cretina que a consumia. Aquilo estava a dois meses de amenizar e era isso que a confortava. Mas não só a semana massacrante fazia com que rejeitasse assim os raios de sol. A verdade é que estava cansada - não só fisicamente. Estava farta dos meio-termos daquela gente morna. Das desculpas mais do que esfarrapadas de pessoas levianas. Essa surficialidade que consumia. Esse não querer por completo ou não saber ser inteiro. Toda essa coisa inexa e desgastante que todos os que lhe cercavam pareciam levar da forma mais comum. Como se toda aquela promiscuidade tivesse algum fundamento. Mas não tinha. Ela não via fundamento algum. Esta cansada das coisa sureais. Das saudades verbais ou escritas, que eram cheias um vazio, um nada. Cheias daquilo que não era saudade. Farta de adjetivos supostamente afetivos, usados sem cuidado algum, desmoralizando a palavra afeto. As pessoas pareciam cada vez mais frias, robotizadas. A palavra amor agora era usada com descuido. Não que ela fosse a melhor pessoa para falar sobre amor, mas acreditava naquele sentimento que envolvia seus pais, mesmo depois de longos vinte e sete anos, e pelo visto seria assim, da mesma forma nos anos que estavam por vir.
Mas era silêncio, não tinha mais som de violino. Era monótono. O sol penetrava a janela, atingia sua pele e ela rejeitava. Não acreditava mais. Estava quase sem forças.

sábado, 19 de março de 2011

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Meu coração tá ferido de amar errado.