sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Você que eu não conheço mais

Aproximadamente dois meses depois (...)

- Desde quando você toma cerveja?
- Não é minha, tô só segurando.

Chega o dono da cerveja com o vinho dela.

- E aí cara! Lembra de mim?
- Opa, você fica melhor sem a camisa do Corinthians.


Horas depois (...)

- Posso falar com você?
- Pode.

A conversa sobre engenharia civil, interrompida por ele, continua por mais 5 minutos.

- Diga meu bem!
- Meu bem, não.
- Fala.
- Não te paguei ainda porque to sem receber a dois meses.
- Relaxa, esse dinheiro nunca fez falta.
- Mais quanto é?
- Não lembro, tanto faz.
- Vou depositar R$ 200,00 então.
- Não exagera!
...
- Você veio com ele meu!
- Ue, algum problema?
- Não.
- Tão ta. Vou lá que ele ta sozinho.

(...)

A sensassão foi de ter conversado com qualquer outro estranho que existia naquela festa. Conversa fria, inconsequente. O coração continuou no mesmo ritmo, ao contrário do que acontecia antes quando se falavam. Ela mal sorriu, e não tinha interesse pelo que ele falava. Talvez o amor que ela tinha, ele tenha derrotado. A força que segurava o laço pela outra ponta ja não a pertencia mais.

Eram estranhos e só.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Ms. Confusion, make a move

É 22 de Outubro de 2010.

Faz-se silêncio em plenas 11h da manhã. Pode-se ouvir algum ruído quase que mudo. Mas o interior é mais silencioso que o ambiente externo.

Pontos de interrogação (?) Muitos deles. Incertezas. É hora de decisões, mudanças.
É chato não poder ser mais criança, que sorri todos os dias como se, além da brincadeira, nada mais importasse. Gargalhadas são boas e saudáveis. Adultos só sorriem quando ganham presentes caros, ou por qualquer outra coisa que signifique mais dinheiro.

Monotonia
s. f.
1. Uniformidade constante de sons prolongados.
2. Fig. Falta de variedade.


Final de Outubro é sinônimo de final de ano. Não há mais tempo para indecisões, a não ser que, para o próximo ano você deseje a mesma monotonia, e ainda abra mãos dos seus sonhos.
Ah os sonhos, parecem tão próximos quando se é criança. Deve ser porque nessa época nos esquecemos de acordar. Ou talvez agora não tenhamos a mesma fé que tínhamos na inocência infantil.

O sol lá fora está lindo, sinto o cheiro do mar que de mim está há mais de 100 km. Quero brisa, quero o azul do céu, o brilho do sol e a força das ondas. Quero me sentir leve e bem, nem que seja só por algumas horas.

Enquanto isso, tudo continua confuso aqui.

É 22 de Outubro de 2010. É tempo de escolhas, e eu estou quase sem forças.
Mais a estrela ainda brilha.



segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Desconhecido


- Combinado então! Encontro-te às 19h00.
- Está certo. Até logo!
- Beijão, tchau, tchau.
- Beijo.

Aproximadamente 2h50 depois, ele parado em frente ao carro preto, ansioso, olhava de um lado para o outro. Ela saia da padaria com aquele seu hábito de menta as mãos. Atravessou a rua e segui em direção ao carro, indicado posteriormente ao telefone pelo rapaz. Ele sorriu mesmo sem saber se era ela. Ela retribuiu.

- Olá!
- Oi - sorriu ela.

Beijo nas duas bochechas.

- Realmente nunca te vi por aqui.
- Pois é, nem eu você.

O vento soprava com força os longos cabelos castanhos que a jovem não vencia ajeitar.

- Vamos entrar?
- Claro.

Deu a volta, abriu a porta e indicou a ela que entrasse. Envergonhada sorriu. Entrou, acomodou-se e olhou para ele. Sorriu novamente e o rapaz fechou a porta.

"Não pode ser." - pensava, mas era.

A conversa fluiu durante todo o trajeto. Planos, trabalho, opiniões e experiências. Falaram de futebol, de amor e relacionamentos, lembraram-se das responsabilidades e do profissionalismo. Mas o foco era o caráter, a índole. Conversa saudável.

Chegaram. O local era calmo e gostoso. A escolha foi dele, e ela adorou. Entraram, dirigiram-se a mesa. Ele puxou a cadeira, ela sentou-se sorrindo com a bochecha rosada e tímida. Pediram sucos, caipirinha e batatas. Mais conversas, descobertas e admiração. Mundo pequeno e grande ao mesmo tempo.
Em meio a uma conversa sobre o reflexo das escolhas tomadas, ela:

- A vida é feita de escolhas, acredito (...)
- É, então vamos fazer a nossa.

Beijou-a. Terminado, ela sorriu. Ele também.

- Onde é que se escondeu todo esse tempo?
- Na rua de trás da tua casa.

Risos de ambos. E outro beijo.

- Teu sorriso é lindo.
- Para!
- Tua timidez também.

Ela sorriu. Ele beijou-a.

Mais beijos e conversas. A conta e mais meia hora no local. Retomaram o carro.
Chegado ele:
- Obrigado pela noite.
- Não agradeça, também gostei.
- Adorei teu sorriso, é lindo.
Ela sorriu tímida. - Obrigada.
- Não vai não.
- Tenho que ir - sorriu.
- Vai me dar a honra de vê-la novamente?
- Porque não?

Ele sorriu, beijou-a. Despediram-se.

- Até logo então! Boa noite.
- Tchau, boa noite.

Ela entrou. Ele foi para casa.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Anedota consequente do abismo

- Onde foi o amor, seu moço?
- Não sei dizer.
- Tenho saudades. Ele volta?
- Sei não, viu.
- Se por um acaso encontrá-lo por aí, diz pra voltar para casa.
- Vai ficar esperando por ele até quando, menina?
- Só me promete que diz.
- Tá bem.

- E se ele morreu, seu moço?
- Você devia pegar outra estrada, garota.
- Mas e se ele voltar, e eu não estiver aqui?
- E se ele não voltar, menina?


Aqueles olhos da rapariga, escuros feito jabuticaba, lagrimejaram. Ecorreram lágrimas quentes na pela rosada e o vento soprava forte os longos cabelos castanhos.
O senhor virou-se e seguiu a estrada. Já longe:

- Seu moço, espera!
- Que é que foi, menina?

Enxugou as lágrimas e respirou fundo.

- O senhor acha que o amor não vai voltar?
- Eu acho que não deveria ficar esperando, menina.

Puxou um leve sorriso forçado e triste, que se desfez em menos de três segundos.
Seu moço tinha razão, mas a rapariga não sabia mais o que fazer.
A cadeira do amor, vazia, parecia encher-se apenas de pó. Não conversavam mais, não trocavam carinho. A rotina estava sendo o caminho. Não diziam mais aquilo que trazia cor ao dia-a-dia. Deixaram de se ver fazendo algum sentido. Estavam deixando escapar por entre os dedos a chance de manter unidas as suas vidas.

- Se encontrá-lo seu moço, assim por um acaso, diz a ele que eu sinto falta de tudo aquilo que éramos. Que tenho saudade das suas manias, do perfume que tem sua pele macia. Que os olhos escuros que me fazem sorrir, e que seus braços que me acalmam, me fazem muita falta. Diz seu moço, que ele é aquele que eu amo, ainda que ausente.
- Digo menina, se ele quiser me ouvir.

Seu moço foi embora.

domingo, 22 de agosto de 2010

Abismo

1. O erro.
2. O encontro.
3. As mentiras.
4. Brigas.
5. A paixão.
6. Enganos.
7. Desencontro.
8. Ciúmes.
9. Medo.
10. Duvidas.
11. O amor.
12. Mais brigas.
13. Outros ciúmes.
14. Mentiras outra vez.
15. O vazio.
16. O nada.
17. Frio.
18. Saudade.
19. Mais saudade.
20. E lágrimas frias.
21. Ausência.
22. Silêncio.

(...)

23. O retorno.
24. O ato.
25. O primeiro mês (e mais outros).
26. Distância.

22 de Agosto de 2010, 19h51: e o abismo entre os extremos parece cada vez maior.
Fim da ata.

sábado, 31 de julho de 2010

Sonhos pagãos de amores vãos

mentiras ditas intencionalmente,
planejadas, descritas, traçadas.
Com veneno sutil, doce e insano,
sujando um amor, tornando-o profano.


 
sexta-feira, 02 de abril, 2010.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Saudade

(...) é quando sobra aquele espaço dentro do abraço. É a vontade, o desejo, o anseio de abraçar, de apertar, morder, cheirar e beijar. Dar gargalhadas, implicar, provocar, brigar e até se chatear um pouquinho. É a ausência daquilo que não é saudade. Uma lembrança linda do que é ausente. Não se implica em quilômetros, como dizem os poetas. Acho que simplesmente é a grande falta que nos faz alguém com quem compartilhamos sonhos, projetos, tristezas, medos e alegrias. Alguém que conosco partilha a vida. É saudade de fazer com que duas almas se percam em um só horizonte chamado amor.